Crise: como o terceiro setor pode reverter esse jogo?

A crise econômica, acentuada nos últimos anos, tem deixado o Brasil em situação delicada. Com ela, a transferência de recursos para os campos mais importantes da sociedade, como saúde e educação, pode ficar comprometida. E mais do que nunca, o papel do terceiro setor é importante, ainda que também seja afetado pela crise.

Então fica a pergunta: como as ONGs e demais entidades do terceiro setor podem reverter essa situação?

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Os desafios do terceiro setor na crise

Com a instabilidade governamental do momento, cresce a demanda pela atuação das organizações sem fins lucrativos para suprir as necessidades sociais. Porém, algumas consequências da crise econômica contribuem para tornar essa atuação mais difícil. Podemos citar duas principais:

  • Os potenciais doadores (em geral, empresas) passam a preocupar-se com a própria sobrevivência financeira, diminuindo o volume de repasses. A retração das doações, nacionais ou internacionais, torna-se um complicador para o financiamento do terceiro setor.
  • O crescente número de organizações disputa um número de contribuintes que não cresce na mesma proporção.

Apesar de serem desafios relevantes, é possível enxergar oportunidades e resoluções para esses problemas.

Oportunidades para as entidades sem fins lucrativos

A saída para qualquer crise é sempre a inovação, o olhar diferente, o otimismo no ambiente pessimista. A busca por novas perspectivas pode reduzir o impacto negativo que a crise traz para as organizações da sociedade civil. Mas como?

Profissionalismo

Diante da instabilidade, cada vez mais é reconhecido o papel essencial do terceiro setor. As entidades se tornam imprescindíveis, e passam a ser reconhecidas como tal. Para que elas sobrevivam e se sustentem em tempos ruins, é preciso profissionalizar toda a gestão e atuação.

As organizações, que até então não se preocuparam com um gerenciamento estratégico, serão obrigadas a subir de patamar para continuarem sua atuação. Ou seja, apesar da crise, o terceiro setor se qualificará.

Alguns pontos como variedade de financiamento, transparência, controle financeiro, gestão estratégica, responsabilidade ética e controle social serão intrínsecos às entidades de terceiro setor. A essencialidade de contar com bons profissionais e ter uma gestão planejada também impede a formação desenfreada de novas entidades.

Crescimento das parcerias dentro do terceiro setor

Com o decréscimo de novas entidades, as organizações já existentes, com contribuintes e ações predefinidas, não precisam tanto lutar por espaço. Mas uma atitude recomendada é a formação de redes de parceiros para que os projetos sociais saiam da gaveta.

A propósito, a Lei 13.019, que trata das organizações da sociedade civil, prevê, no artigo 35-A, a possibilidade de parceria entre tais entidades, obedecidos os seguintes requisitos:

  1. Assinatura do termo de fomento ou de colaboração;
  2. Pelo menos 5 anos de existência (inscrição no CNPJ;
  3. 3 anos de existência, no mínimo, na União, 2 anos nos Estados e 1 ano no Município
  4. Capacidade técnica e operacional para supervisionar e orientar diretamente a atuação da organização que com ela estiver atuando em rede.
  5. Experiência anterior em atividades ou projetos similares aos da parceria;

Encontrar iniciativas afins à área de atuação para trabalhar juntas é a melhor forma de encontrar soluções inovadoras para driblar a crise. Esse engajamento entre os atores das organizações aumenta, inclusive, as possibilidades de arrecadação.

Financiamento coletivo

A necessidade de recorrer a outras formas de financiamento é urgente, já que as contribuições de pessoas jurídicas caíram com a crise econômica. Nos últimos anos, o financiamento coletivo ou crowdfunding despontou com ótima alternativa para diversos projetos!

Por meio dele, pessoas físicas ou empresas se identificam com o projeto e contribuem financeiramente para que ele seja realizado. É uma forma de economia colaborativa, princípio alinhado ao Terceiro Setor. Existem diversas plataformas na internet, com várias formas de financiamento.

Para se ter uma ideia, a campanha “Santuário Animal” arrecadou mais de R$ 1 milhão em prol dos animais que habitam o Rancho dos Gnomos. Ela foi organizada pela ASERG – Associação Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos e bateu o recorde latino-americano de arrecadação, contando com contribuições do mundo inteiro.

Apesar da força da crise econômica, o terceiro setor tem boas perspectivas se tiverem um olhar “fora da caixa”, inovador, colaborativo. Não é essa a essência das organizações da sociedade civil?

O você achou do artigo? Foi possível ter uma perspectiva melhor sobre este momento de crise para as Ongs e o Terceiro Setor? Conte para gente nos comentários!

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