Redescobrindo a Inovação Social

Nos últimos 05 anos as palavras inovação e inovação social veem ganhando muita força e destaque no Brasil. Seja em grandes empresas, que buscam através da inovação, melhorar seus processos, serviços e soluções, seja no campo dos negócios de impacto ou sociais (aqueles que tentam aliar lucro, propósito e impacto social), nos governos e até mesmo no setor não governamental ou sem fins lucrativos, que por perderem espaço e recursos para os negócios sociais se sentem pressionados a inovar.

Entretanto em minha jornada pelos setores governamentais e não governamentais poucas vezes vi as instituições e equipes alinhadas quanto ao significado de inovação social, como criar condições que propiciem a inovação social, como sustentá-la e finalmente como avaliar o impacto. Certamente contribui para essa situação o fato de não termos centros de estudos no Brasil que se dediquem a inovação social, portanto boa parte da literatura vem de fora. Mais para mim isso é muito sintomático de um “fazer” sem pensar, pois, tenho certeza que na prática ao menos temos tentado inovar socialmente.

Para resgatar o conceito de inovação social trago um texto da Stanford Social Innovation – Rediscovering Social Innovation (2008), que dá nome a esse artigo, para mim que estudo e vivo a inovação social em meu trabalho diário, esse texto é uma aula completa! A título de curiosidade, muitas universidades americanas, e aqui cito apenas Stanford e Harvard, há algumas décadas mantêm centros de formação, pesquisa e produção de conteúdos sobre inovação social. Tudo de bom!

O referido texto define inovação social como:  uma nova solução para um problema social ou ambiental que seja mais efetiva, eficiente e sustentável do que as soluções existentes e cujo valor criado seja revertido para sociedade como um todo e não para indivíduos ou grupos privados. A inovação social pode ser desde um produto, um processo produtivo, uma tecnologia, um princípio, uma ideia, uma legislação, um movimento social ou uma combinação de vários desses elementos. Entre os exemplos que o artigo traz, o que eu mais gosto é o do FairTrade.

Esse artigo foi muito esclarecedor e libertador para mim, abriu um campo maior para a inovação social tanto em termos de como ela pode se manifestar, de um produto até um movimento social, até onde, basicamente em qualquer lugar. Ao entender que a inovação social é quem traz a mudança social, menos do que a pessoa ou a organização, também consegui entender os mecanismos, a ordem e a sequência de eventos que interconectados criam condições para a inovação social. Um desses mecanismos é  a convergência entre os diversos setores (1º, 2º e 3º).

A inovação social nos coloca a frente de um dos desafios mais complexos de nosso tempo: a necessidade de quebrar padrões de isolamento, paternalismos, antagonismos ou concorrência e trabalhar de maneira a convergir os diversos setores. Nosso modelo mental é um modelo vertical, onde cada um cria sua empresa, seu negócio ou sua solução. O futuro aponta claramente para uma diluição de fronteiras entre os três setores e o surgimento de novos arranjos sociais e econômicos, que serão tão bons quanto a nossa capacidade de transcender esses limites em nome de uma sociedade que celebre a vida, a igualdade de oportunidades, sendo ambientalmente equilibrada.

Para mim a maior potência da inovação social é essa vocação de conduzir a sociedade para modelos que recuperem nossa esperança, que apontem para uma nova conformação social. Por isso meu convite aqui é que busquemos a inovação social em nossos contextos de forma mais consciente e coletiva. Vamos juntos!

 

Por:  – Sócia proprietária na Sementeira Inovação Social e Desenvolvimento.

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