Tendências em negócios de impacto social para 2017

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Diante dos diversos desafios socioambientais complexos que marcam a sociedade atual, os investidores sociais têm buscado novas maneiras de contribuir ainda mais e ajudar a superar estas demandas colocadas. Entre as opções e possibilidades de como compor suas estratégias de investimento, institutos e fundações se aproximam também dos negócios de impacto social, ou seja, empreendimentos que têm o claro compromisso de gerar impacto (social ou ambiental) positivo, ao mesmo tempo em que proporcionam resultado financeiro.

O tema vem ganhando espaço de reflexão e debate, tendo inclusive se tornado uma das agendas estratégicas do GIFE para os próximos anos. Muitos investidores querem também entender este movimento, o que gerou o interesse para a criação de um local permanente para esta discussão: a Rede Temática de Negócios de Impacto Social.

Na visão da própria Força Tarefa de Finanças Sociais no Brasil (FTFS) – grupo do qual o GIFE faz parte – as fundações e institutos têm papel fundamental neste campo e podem colaborar muito para o seu fortalecimento, já que têm a possibilidade de arriscar mais e uma tendência para a inovação.

Tanto é que, entre as 15 recomendações lançadas em outubro de 2015 pela FTFS, uma das metas sugeridas é que estas organizações direcionem, até 2020, 5% de seus investimentos e doações ao desenvolvimento do campo de finanças sociais e negócios de impacto, como, por exemplo, no fortalecimento de organizações intermediárias, na atração de novos investidores ou na doação direta a negócios de impacto.

Mas, afinal, quais oportunidades e desafios estão colocados para esta área no ano de 2017? A fim de ajudar a trazer algumas respostas para estas questões, o GIFE dá continuidade a sua série especial de tendências e convida Célia Cruz, diretora executiva do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), organização que faz parte da diretoria executiva da FTFS, para compartilhar suas impressões a respeito.

Apoio aos intermediários

Para ajudar a promover o desenvolvimento do campo de negócios de impacto no país como um todo, uma boa oportunidade para os institutos e as fundações é direcionar o seu apoio às instituições intermediárias, ou seja, organizações especializadas que facilitam, conectam e apoiam a parceria entre oferta (investidores, doadores e gestores que buscam impacto) e demanda de capital (organizações que geram impacto social); bem como qualificam a construção do ecossistema.

Assim, são estas organizações – incubadoras, aceleradoras, fundos sociais, fundos de investimento, entre outras – as responsáveis por oferecer conhecimento e formação aos empreendedores; assim como conectar empreendedores a possíveis investidores; monitorar, avaliar e certificar iniciativas do campo; e oferecer recursos e serviços financeiros. Estas instituições têm sido fundamentais para o crescimento do ecossistema de finanças sociais no país.

Novos mecanismos financeiros

Os investidores sociais podem, gradativamente, experimentar novos mecanismos e instrumentos de investimentos em negócios de impacto que não estavam, até então, no leque dos institutos e fundações. O grupo “Protótipo de Fundações e Institutos em Investimento de Impacto”, resultado do Lab de Inovação em Finanças Sociais da Força Tarefa de Finanças Sociais (FTFS), tem avançado neste sentido e vai experimentar três mecanismos.

Entre as opções está a possibilidade dos institutos e fundações fazerem empréstimos para estes negócios ou serem garantidores, ou seja, no momento em que o negócio solicita a um banco um capital para poder ganhar escala – considerado de risco para a instituição financeira – o investidor social, que já conhece as qualidades, características e necessidades daquele empreendedor/grupo, coloca um recurso como “garantia no banco”, a fim de que a instituição consiga a aprovação desejada.

Há ainda a possibilidade de crowdequity ou equity crodwfunding, modelo que permite que startups e negócios inovadores possam receber investimentos por meio de uma multidão (crowd) de pequenos investidores. Sendo assim, os investidores passam a ser sócios conjuntos desse negócio. Neste caso, o dinheiro de risco investido retorna, no futuro, para a instituição com os devidos juros. A plataforma Broota atua desta forma e já são mais de 5 mil investidores interessados em apoiar organizações inovadoras e de impacto.

Investimento colaborativo

Uma forma de atuação neste campo que tem se tornado tendência no mundo é a possibilidade de diluir os riscos por meio de processos colaborativos, como é o caso do Protótipo citado acima.

A partir dos conhecimentos e aprendizados de diversos atores unidos, a tendência é que o processo seja mais desruptivo e inovador e, portanto, gere um impacto mais transformador, com resultados efetivos. Para isso, é preciso que os envolvidos estejam preparados para viver e experimentar novas formas de fazer, assim como, se necessário, fazer adaptações, por exemplo, nos seus estatutos para poderem atuar desta maneira.

Mensuração de resultados

Há uma crescente demanda na área para entender, afinal, o que seria o impacto social. Sendo assim, uma aposta para os institutos e fundações que querem fortalecer o campo é o investimento em avaliações de impacto. Na prática, não é fácil medir impacto, mas, somente com este esforço, será possível mensurar as mudanças concretas promovidas por estas iniciativas.

Na prática, o que isso significa? Mudar a forma de fazer perguntas. Um ponto de partida são as teses de mudança. Os investidores sociais podem apoiar grandes estudos com este enfoque que, num segundo momento, têm a possibilidade de serem utilizados por todo o setor, a partir de indicadores e métricas comuns.

Ampliação do entendimento

Muitos institutos e fundações ainda têm dúvidas se podem ou não fazer investimentos em negócios de impacto com segurança. A FTFS lançou inclusive, em 2016, alguns documentos para esclarecer essas questões, como o “Parecer sobre riscos jurídicos e tributários relacionados aos investimentos de Fundações e Associações sem fins lucrativos em sociedades empresariais”.

Segundo a publicação, é possível sim os investidores sociais apostarem neste campo, desde que: o investimento seja um meio para assegurar a realização de seus fins sociais, ou seja, precisa estar alinhado ao que aponta o Estatuto Social e, em segundo, que os rendimentos do capital sejam reinvestidos de forma integral para suas finalidades, voltadas ao bem comum.

Outro ponto que as fundações/institutos precisam estar atentos é investir um percentual que não caracterize e coloque em risco o seu patrimônio e a sua perpetuidade. Além disso, para que não percam a imunidade, não podem aplicar recursos fora do país, e não podem distribuir os resultados.

Por isso, o desafio atual é que todos os envolvidos, principalmente os conselhos de administração de fundações e as promotorias de fundações (Ministério Público), estejam alinhados e tenham um amplo entendimento sobre o campo.

A realização de eventos, formações e seminários a respeito do tema precisam ser realizados, ao longo de 2017, para disseminar mais estas informações pelo país.

Outros materiais

  • ·         Reportagem “Iniciativas se articulam para gerar conhecimento sobre negócios de impacto no Brasil” (aqui)
  • ·         Web Série COMUM sobre o tema (aqui)
  • ·         Reportagem “Rede Temática discute os aspectos jurídicos do apoio do ISP em negócios de impacto social” (aqui)
  • ·         Guia prático jurídico “Fundações e institutos corporativos investindo em negócios de impacto (aqui)
  • ·         Pesquisa de “Intermediários do Ecossistema de Finanças Sociais e Negócios de Impacto” (aqui)
  • ·         Reportagem “ISP tem papel fundamental para fortalecer o campo dos negócios de impacto no Brasil, garantem especialistas” (aqui)
  • ·         Hangout sobre “Negócios Sociais: panorama e conceitos” (aqui)
  • ·         “Reportagem “Iniciativas de fomento a negócios de impacto social ganham espaço na agenda do investimento social privado” (aqui)

Confira as outras matérias da série:

 

via: Techsoup

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