Como a Fauna será diretamente atingida

O que definem as Convenções Internacionais

Sabemos que as mudanças climáticas afetam a biodiversidade e provocam muitos impactos negativos. O aquecimento global vai provocar prejuízos na economia e vai afetar drasticamente o cotidiano das pessoas por conta de fenômenos como a elevação do nível do mar, os extremos climáticos como furações, tempestades e o aumento das secas e das enchentes.

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Como a Fauna será diretamente atingida

A Fauna será diretamente atingida, todas as espécies da fauna e da flora também vão sofrer impactos das mudanças climáticas. Ações de manejo podem ser a única forma de salvarmos vários animais de extinção como o urso polar, os gorilas das montanhas, a borboleta monarca, a tartaruga verde e o guepardo.

Mas, várias espécies do Brasil também estão altamente ameaçadas como diversos insetos, pássaros, mamíferos de pequeno porte e animais fluviais e marinhos.

Um caso que está sendo pesquisado no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, RJ envolve os insetos que habitam os locais mais elevados, que não terão para onde migrarem com o aumento das temperaturas, já que os campos de altitude são o ponto mais alto da serra.

Com o aumento das temperaturas os pássaros vão modificar o período de colocarem ovos e construírem ninhos e podem ficar mais vulneráveis aos predadores.

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A elevação do nível do mar afetará a fauna dos manguezais que são berçários importantes e fornecem alimentos para várias aves migratórias.

Várias baleias dependem de áreas mais rasas e protegidas como enseadas para cuidarem dos filhotes, fato que poderá ser alterado com a elevação do nível do mar. Vários peixes migram anualmente para a partes mais altas dos rios para a reprodução e isso poderá ser alterado com enchentes e secas.

Alterações nos regimes de pluviosidade vão afetar vários sistemas da biodiversidade. Modificações pequenas, como a de insetos locais, e as de grandes proporções, como a extinção de várias espécies, podem provocar desequilíbrios significativos.

O que definem as Convenções Internacionais

As convenções ou tratados internacionais estão diretamente relacionados com o tema como a Convenção sobre Mudanças Climáticas do Rio de Janeiro em 1992. Esta Convenção sofreu depois várias modificações em outros encontros como o Protocolo de Kyoto em 1997. Uma das mais importantes decisões foi a responsabilidade dos países mais industrializados de reduzirem as emissões de gases de dióxido de carbono. Fato que não está sendo obedecido, principalmente pelos Estados Unidos.

Neste encontro, também conhecido como Rio 92, foi promovido a Declaração sobre as Florestas e a Convenção sobre a Diversidade Biológica. As duas tratam tanto da necessidade de preservação quanto das normas para a extração de recursos naturais.

As florestas são os ecossistemas de maior biodiversidade.

Metade das florestas do planeta são as tropicais localizadas na América do Sul e Central, Ásia e África. As florestas tropicais úmidas contêm a maioria absoluta da biodiversidade.  A Amazônia e a Mata Atlântica formam o maior banco genético do mundo.

As florestas tropicais úmidas são justamente a última fronteira para onde se estendem de forma acelerada os agronegócios e as ocupações urbanas.

A Convenção sobre Diversidade Biológica (1992) descreveu biodiversidade como:

A variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies de ecossistemas.

As convenções internacionais que definiram questões relacionadas à biodiversidade construíram muito mais princípios do que obrigações. Além disso, são princípios que beneficiam pouco as comunidades locais e muito mais os interesses do mercado e das empresas.

Em poucos momentos foram questionados os impactos do padrão de consumo dos países mais ricos.

A Primeira Conferência das Partes (COP – 1) de 1994 em Nassau nas Bahamas, com a participação de 133 países, criou um grupo de trabalho de três anos para definir políticas internacionais para a diversidade biológica. Esse grupo de trabalho não incluiu na pauta discussões sobre os direitos dos camponeses, indígenas e comunidades locais. A participação e o apoio das comunidades locais, dos povos nativos e das ONGs só aparece no texto da Agenda 21, mas que inclui também os poderosos do setor privado, as instituições financeiras e a comunidade científica (ALBAGLI, 1998).

Outros artigos, no entanto, afirmam a soberania dos Estados-Nações nas decisões. Estados que geralmente acabam favorecendo os interesses das grandes empresas e a lógica do mercado. Outro problema constante que acontece nas negociações internacionais que envolvem a biodiversidade é que na maior parte das vezes os governos enviam representantes do setor econômico e não ambiental ou das populações tradicionais. O modelo de consumo quase nunca entra na pauta das discussões e é a maior causa da devastação da biodiversidade.

Os agronegócios representam enorme prejuízo à biodiversidade na medida em que desmatam a floresta original e ocupam o território com espécies exóticas que dependem de recursos genéticos de fora. Além disso, contaminam o solo e a água com os produtos químicos. Países como o Brasil, com a mais rica biodiversidade do planeta, exportam muito mais espécies exóticas, como a soja, o algodão e o café, dos que os produtos silvestres locais como o maracujá, o abacaxi, a mandioca e a castanha-do-pará.

Sistemas Agroflorestais e extrativistas e a permanência das aldeias camponesas seriam iniciativas muito mais sustentáveis do que as extensas áreas ocupadas pelo agronegócio e permitiriam a sobrevivência dos povos tradicionais e a não apropriação do território pelo setor privado. Além de estarem produzindo alimentos muito mais saudáveis e garantindo a continuidade da cultura local.

Referências:

WWF (2019), “Insetos e Parasitoides e o Gradiente de Altitude” in Destaques – site do PARNASO e ALBAGLI, S. Geopolítica da Biodiversidade. Brasília: IBAMA, 1998.

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