Tecnologias inovadoras inspiram o Terceiro Setor
Uma das grandes dificuldades que os indivíduos e as instituições têm é o de iniciar e implementar uma nova ordem nas formas de pensar, conviver, organizar e trabalhar.
Hoje enfrentamos duas transformações que exigem o esforço de todos que são as mudanças climáticas e as provocadas pela internet e as redes sociais.
Fatos que exigem planejarmos mudanças estruturais importantes.
No entanto, predominam muito os medos, as desconfianças e as pessoas se sentem inseguras para enfrentar novidades…
A Teoria da Mudança é uma das ferramentas que utilizamos para facilitar essa transição, desenvolvida inicialmente para o setor financeiro, utilizada também, principalmente no Reino Unido para a interpretação de princípios políticos, conhecido como policies.
Aplicada para mensurar os retornos e os alcances de estratégias, percebeu-se a necessidade de se questionar para que fazem o que fazem?
No lugar de apenas propor estratégias, devemos perguntar: que mudança queremos provocar? Um exemplo típico é a vontade de produzir um livro ou um seminário sobre um determinado assunto, sem antes questionar o Porquê?…

Nesse texto falaremos também do Goden Circle – uma teoria que se complementa com a da mudança e tem um poder incrível. Utilizada para criar lealdade e engajamento e assim as ideias e marcas se tornam mais fortes e influentes.
A Teoria da Mudança é uma ferramenta para ajudar a justificar decisões. Perguntando sempre qual o problema que queremos resolver e qual o cenário futuro desejável. A justificativa de uma ação depende da mudança que estamos querendo atingir.
O destaque é dado ao problema a ser resolvido e não ao conteúdo, já que o conteúdo sozinho não é suficiente para produzir a mudança. O foco é na transformação que uma iniciativa ou um projeto pode trazer e não no produto em que um mundo futuro é imaginado.
Existem sempre várias formas e conteúdos possíveis para se promover uma mudança. A Teoria da Mudança aplicada na policies do Reino Unido, em estudo da Universidade de Oxford, foi considerado um amadurecimento na avaliação das políticas.
Questionamos de saída se o que desejamos é alcançável e se as estratégias serão entregáveis.
A organização das ações envolve:
• Pesquisa – identificar, mapear e esclarecer;
• Atividades educacionais – capacitar, aproximar, fomentar habilidades;
• Eventos – conectar, integrar;
• Criar – desenvolver, lançar, inovar.
O conceito de mudança refere-se à criação de algo diferente do passado e do presente. Novos sistemas de controle e estruturais necessitam serem criados para o sucesso de uma mudança e envolve ambientes externos e internos.
A primeira fase consiste no convencimento da necessidade da mudança e da construção da consciência de que a situação atual não é satisfatória. No final, os novos comportamentos precisam serem consolidados e estabilizados. As mudanças envolvem critérios técnicos, políticos e culturais.
Para isso abalam sistemas de poder e a alocação de recursos.
Toda estratégia no caminho da construção de uma mudança envolve características políticas, econômicas, tecnológicas, espirituais, morais e legais. Temos que ter consciência também de que as mudanças nunca vão ocorrer de uma forma previsível. As principais mudanças requerem uma transformação comportamental. Fato que envolve a transformação de pessoas.
Temos que fazer as perguntas básicas para a implementação de uma mudança:

Perguntamos também a extensão e a intensidade da mudança desejada e a velocidade em que desejamos que aconteça. Podemos ter uma mudança abrupta ou de passo-a-passo. A extensão da mudança pode ser a transformação de um paradigma ou de apenas um aspecto ou setor componente de um sistema.
A mudança pode ser, portanto, uma evolução ou uma transformação e o resultado esperado uma adaptação ou uma reconstrução. Tudo isso inclui aspectos simbólicos, rituais, rotinas, histórias, sistemas de controle e poder e estruturas presentes nos elementos que pretendemos mudar.
Não devemos criar expectativas excessivas e sim possíveis e reais e temos que ter consciência do esforço necessário para a mudança ocorrer.
Investimentos importantes devem ser realizados nas áreas de comunicação, educação, treinamento e logística.
Podemos ter o desejo de uma mudança revolucionária, mas sermos capazes apenas de uma restrita.
Muitas vezes, chegamos à conclusão que é melhor transformar totalmente o ramo da instituição e numa crise o melhor pode ser reconstruir tudo. No entanto, nenhuma mudança é isolada, há sempre vários pontos interligados e envolvidos.
Toda transformação verdadeira deve abalar estruturas, criar ambiguidades, gerar incertezas e nem todos vão perceber a mudança de forma homogênea.
O trabalho da comunicação se torna extremamente importante para o sucesso da mudança e existem, portanto, fases importantes das mudanças:

A comunicação está presente em todas as fases. A educação e o treinamento são predominantes nas fases 3 a 5 e a última fase exige investimentos para apoiar o novo sistema, celebrar os sucessos e avaliar as fraquezas.
Como vimos, a mudança requer uma desconstrução em que uma nova rede é formada. Não se trata apenas de problemas e soluções e sim de um processo, uma ferramenta.
A Teoria da Mudança é extremamente complexa e leva em consideração a diversidade de atores e ambientes.
No entanto, um dos princípios é a busca da simplicidade. Defende-se a existência de apenas três momentos necessários.
Uma matriz lógica deve ser construída com problemas, soluções, estratégias, metas, indicadores e recursos.
Deve ter foco e não começar com um problema grande demais e não interessa os sintomas apenas para a definição do problema e sim as mudanças desejadas.
Questionamos por que algumas pessoas e empreendimentos são capazes de obter enorme sucesso e influenciar muitas pessoas, as vezes até milhões.
De acordo com a teoria do Golden Circle todos os líderes agem da mesma forma. Geralmente empreendedores ou líderes buscam clientes ou seguidores explicando o que fazem, como fazem e porque fazem.
Perguntas básicas também para qualquer processo de inovação. No entanto, vemos muito mais ênfase nas duas primeiras respostas.
Parece que o porquê é muito mais difícil de ser trabalhado. Entretanto, é o que realmente explica o impacto desejado e a nossa contribuição para a sociedade.
As pessoas geralmente se comunicam de fora para dentro num círculo em que o exterior é “o que” e o meio é o “como”.
Os líderes, entretanto, se comunicam de dentro para fora.
Iniciam com o círculo interior que é o “porquê”. Assim, comunicam uma proposta e chamam para uma tomada de decisão. A parte da mente ativada neste caso é a dos sentimentos como confiança e lealdade.
Comunicar a partir do porquê (interior) é atingir a parte da mente responsável pelas emoções e os comportamentos. O famoso discurso de Martin Luther King em Washington DC é um grande exemplo desta capacidade.
Toda instituição tem que se atualizar e ficar por dentro das diversas inovações, mesmo as que têm origem no mercado. As mudanças são essenciais e na contemporaneidade as transformações são intensas e rápidas. Hoje, por exemplo, temos que estar preparados para os grandes impactos provocados pelas redes sociais e pelas Mudanças Climáticas e causar renovações internas e externas impactantes.

Referências
BALOGUN, J. Strategic change in Management Quarterly, London: 2001.
ITAÚ SOCIAL Apostila e Curso de extensão Teoria da Mudança: do projeto à transformação social, 2019.
SINEK, S. The Golden Circle presentation notes: 2015.
Discurso de Martin Luther King: https://www.youtube.com/watch?v=3vDWWy4CMhE

Você já conhecia a Teoria da Mudança? Já aplicou em algum projeto? Conte-nos a sua experiência…